Exclusivo: Cassie Lahan fala sobre família, preconceito e futuro

Reprodução
Reprodução

Tive a incrível oportunidade de encontrar a Cassie Lahan pela primeira vez na minha festa de 20 anos, que aconteceu em fevereiro deste ano na boate carioca ZeroZero. A gente já conversava online, mas o contato pessoalmente me fez conhece-la mais profundamente do que os meses anteriores. Tive a oportunidade de conferir o trabalho artístico dela de pertinho e, nossa, fique impressionado.

Primeiro pelo tamanho. São mais de dois metros de Drag Queen. 1,92m sem salto. E depois porque, atrás da pose de diva, está uma pessoa super doce e simpática. Gente boa mesmo!

Cassie e eu batemos um papo hoje mais cedo sobre Drag Queens, família, preconceito e O Boticário (não podia faltar, né?). Depois de ler a entrevista, não esquece de segui-la no Facebook. Você não vai se arrepender. Prometo.

ADAM: A gente te vê nas boates o tempo todo, sempre super montada. Você encara sua drag como profissão?
Cassie: Bom, eu nunca encarei a minha expressão artística como uma estratégia de conseguir retorno financeiro. A minha Drag surgiu de uma necessidade de dizer “Oi, eu não sou só o que a sociedade quer que eu seja. Aqui dentro de mim também tem vida e eu sou aquilo o que desejo ser”.

ADAM: Pude ver que você tem um relacionamento super próximo com sua mãe, ela é sua fã número um?
Cassie: Minha mãe é a pessoa mais incrível do mundo e eu devo a ela muito do humor que acabo expressando. Ela é minha fã número um em todos os sentidos e minha grande incentivadora.

ADAM: E com os outros membros da família, eles te aceitam na boa?
Cassie: Minha Família é super aberta tanto na questão artística, quanto na questão de sexualidade. A única exceção é o meu pai que ainda tem uma mente bastante conservadora. Ele é do tipo que acha LGBT’s/Drags bonitinhas na televisão e na família dos outros, mas que dentro de casa não é algo que ele se orgulhe.

ADAM: Qual é a melhor parte de ser drag? E a pior?
Cassie: Acho que a melhor parte é essa oportunidade de subverter os padrões, questionar a sociedade, poder ter uma voz na militância e ter me encontrado dentro de uma identidade de gênero não-binária. A pior parte é ter que conviver com a falta de valorização da arte.

ADAM: Tem como descrever seu look coringa?
Cassie: Meu look coringa é sempre o Batom Vermelho, MUITO CÍLIOS POSTIÇOS e uma roupa preta. Sempre digo que “Black is my color”

ADAM: Um dos desafios de ser drag é a maquiagem. São vários produtos e o processo costuma ser demorado. Você conseguiria escolher uma produto de beleza que sem ele não rola Cassie Lahan gatíssima na noite?
Cassie: Uma Drag Queen é construída de itens indispensáveis na maquiagem. Somos homens e, na maioria das vezes, nos caracterizamos de modo a reproduzir a imagem “feminina”… Então eu conseguiria me maquiar tendo 1 base, 1 pó, cílios postiços, 1 delineador, 1 batom, 1 pó de contorno e 1 sombra marrom. MAS NÃO HÁ CASSIE SEM CÍLIOS POSTIÇOS.

ADAM: Consegui ver que você recebe mensagens de admiradores do seu trabalho diariamente. Qual a sua relação com seus fãs?
Cassie: Minha relação é totalmente aberta. Bato papo, troco opinião, aconselho, escuto desabafo e faço o que posso… Meu projeto inicial sempre foi fazer de mim uma “personagem de convivência”, que esteja sempre antenada nos assuntos, procurando gerar debater na internet e criando um vínculo maior com as pessoas. Mas tudo dentro de um limite saudável.

ADAM: O que vem no futuro para Cassie Lahan?
Cassie: O futuro é algo que a gente acaba sempre projetando, né?! Eu penso bastante em direcionar o meu trabalho para as questões sociais e politicas da comunidade LGBT. Tenho estado cada mais inclinada em trabalhar oficialmente nesse sentido.

ADAM: Pra finalizar, qual sua opinião sobre “O Boticário”?
Cassie: “O Boticário” é uma empresa que vive de marketing para estimular os lucros da sua marca e, obviamente, aquela campanha foi feita visando atingir o público para aumentar as vendas. Apesar disso, acredito que oferecer um espaço para a comunidade LGBT é um passo muito importante. Deveríamos estar satisfeitos em sermos representados e, mais ainda, por termos gerado uma discussão importantíssima nas redes sociais e no país.